terça-feira, 6 de abril de 2010

IFRS: responsabilidade, transparência e ética

Financial Web
por *José Roberto Filho

06/04/2010

Em artigo, especialista contábil analisa a relação da contabilidade com a gestão de uma empresa

A gestão de um negócio exige conhecimento, estudo, dedicação e, acima de tudo, responsabilidade, transparência e ética, especialmente quando é, em significativa proporção, esta mesma gestão que impulsiona - ou retrai - a economia. O dinamismo com que as mudanças ocorrem, com impactos positivos e negativos nas mais variadas proporções, exige que os gestores apliquem práticas que reflitam, por meio de pronunciamentos e relatórios, a real situação do investimento, incluindo as suas expectativas, dentro da lógica do mercado e segundo as suas experiências.

Temos acompanhado toda a discussão relacionada a adoção das novas normas contábeis, estudado os já famosos CPC´S (regras emitidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis) e, cremos, toda argumentação – embora muito bem fundamentada, esquece de relacionar a questão do número a ser encontrado (ou que já tenha sido encontrado) com a real motivação em fazê-lo: afinal, o que a contabilidade deve demonstrar à sociedade? Do lado dos órgãos de fiscalização e responsáveis pela cobrança dos impostos, qual é – de fato, a intenção em testar os resultados obtidos nas demonstrações financeiras segundo as novas normas?

A contabilidade já possui, desde muito tempo, normas e princípios fundamentais que, se aplicados dentro do rigor necessário, seria mais do que suficiente para demonstrar a real situação de uma empresa. Para qualquer profissional da área, são positivas a regulamentação e a edição de normas pois, assim, estas se transformam em ferramentas de pesquisa e de argumentação que, embora técnicas, são mais compreensíveis e dispensam, por assim dizer, intermináveis discussões quanto a critérios que devam ser adotados. No entanto, há deficiência na metodologia ou complacência com métodos incorretos de contabilização?

Embora com efeito estático, demonstrando a posição patrimonial e financeira de uma entidade numa determinada data, é razoável - na verdade obrigatório - que os efeitos futuros sejam, de algum modo, demonstrados pela contabilidade, permitindo sabermos – aplicando a razoabilidade, o que poderá acontecer com esta entidade. Trata-se, neste ponto, dos tais eventos futuros que podem afetar o patrimônio líquido de uma empresa. Estes eventos futuros – muito embora não tenham efeito fiscal imediato, podem modificar substancialmente a composição do balanço – tanto no aspecto de liquidez quanto no que se refere ao patrimônio. Não se trata de dar um tratamento a ou b, como por exemplo, no ágio decorrente de aquisição de participação societária. Trata-se, sim, de reconhecermos na contabilidade eventuais perdas ou ganhos que, efetivamente, modificam ou modificarão o patrimônio, afetando diretamente os investidores.

É neste ponto que julgamos que a contabilidade transcende a forma para que se aplique a essência: prejuízos podem (e devem) ser previstos e reconhecidos, assim como eventuais fatores que, sabidamente, afetarão rentabilidade e disponibilidades. A contabilidade não se resume a simples escolha do critério que será adotado para o reconhecimento de receitas e despesas e muito menos na previsão de taxas futuras, as quais podem ir à estratosfera ou sofrerem forte redução, de acordo com a política necessária a cada momento. Trata-se, de verdade, na irrestrita aplicação de princípios de responsabilidade, transparência e ética, buscando – dentro de seu próprio processo, indicadores que efetivamente mostrem à sociedade que a gestão aplicada está atingindo os resultados esperados. Respondem por isto: executivos, gestores, auditores, órgãos de fiscalização e, evidentemente, os contadores (todos conhecedores das normas e dos princípios aos quais nos referimos).

*José Roberto Filho é sócio-diretor da JR&M Assessoria Contábil

segunda-feira, 5 de abril de 2010

CVM publica novas regras para ofertas de ações e debêntures

* Também haverá mudanças referentes ao período de silêncio, que já gerou vários problemas em ofertas de ações por conta de declarações indevidas de empresas e executivos
Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado

SÃO PAULO - A Comissão de Valores Mobiliário (CVM) publica hoje a Instrução 482, que altera e atualiza a Instrução 400, com regras para ofertas públicas de ações e debêntures, elaborada em 2003. As novas normas entram em vigor no dia 1º de agosto após vários meses de discussão no mercado. Entre as principais modificações estão a obrigatoriedade de incorporação do formulário de referência ao prospecto de distribuição e a possibilidade de registro automático de ofertas para os emissores com grande exposição ao mercado. Esses emissores são companhias de maior porte, listadas na Bolsa há mais de três anos e com valor de mercado superior a R$ 5 bilhões. Para esses casos, a CVM promete dar o registro da oferta em até cinco dias úteis.
A Instrução 482 também traz mudanças referentes ao período de silêncio, que já gerou vários problemas em ofertas de ações por conta de declarações indevidas de empresas e executivos. Para evitar esses problemas com o período de silêncio, a CVM criou "um termo inicial objetivo para delimitar o período de silêncio", com a definição clara desse período. A CVM também ficou mais flexível, excluindo a necessidade da regra em casos de informações habitualmente divulgadas "no curso normal das atividades" da empresa emissora, como balanço trimestral e fatos relevantes.

Ainda sobre a IFRS

05 de abril de 2010

Um artigo muito interessante, de J Edward Ketz (Contrary Opinions on IFRS) apresenta algumas reflexões sobre a adoção das normas internacionais por parte dos Estados Unidos. O texto é uma análise crítica e se posiciona contrário ao uso das normas internacionais por algumas razões interessantes. Logo de início Ketz afirma que:

O leitor deve lembrar que este estudo anterior apenas fornece uma lista de afirmações não comprovadas sobre a contabilidade baseada em princípios, incluindo uma maior comparabilidade para os investidores e redução nos custos de capital para as empresas. Ao invés de apresentar prova, a SEC apenas enumera os artigos de fé.

Este ponto é interessante, já que as afirmações sobre as vantagens da IFRS são frases repetitivas, com baixo nível de cientificidade. É o que Ketz chama de "artigos de fé".

Outro aspecto importante, já debatido anteriormente neste blog, é sobre o financiamento do Iasb. Enquanto a SEC é financiada pelo governo, o financiamento do Iasb é proveniente de doações. (Apenas lembrando, o balanço recente do Iasb mostrou que grande parte das doações são das grandes empresas de auditoria). Ketz, ao lembrar isto, pergunta:

Você acha que talvez, apenas talvez, os doadores querem algo em troca?

Uma questão apresentada é o efeito da IFRS em outras áreas, fora do domínio da SEC.

IFRS poderia ter efeitos desconhecidos em outras áreas de investimentos, o domínio da SEC. Por exemplo, as demonstrações financeiras são utilizadas pela indústria e os reguladores antitruste e federal e órgãos estaduais de tributação. Será que uma adoção do IFRS ter um efeito perverso das políticas nacionais e estaduais?


Via Contabilidade Financeira

domingo, 4 de abril de 2010

Receita fecha o cerco aos prejuízos fictícios

Domingo, 4 de abril de 2010 8:13
ADRIANA FERNANDES Agencia Estado

BRASÍLIA - A Receita Federal abriu guerra contra o planejamento tributário feito pelas empresas para pagar menos impostos e vem travando disputas nos tribunais sobre a legalidade de uma série de negócios bilionários feitos nos últimos anos, como fusões, aquisições e reorganização societárias.

O Fisco criou duas delegacias especiais de fiscalização de operações de planejamento tributário, em São Paulo e Rio de Janeiro, e vai formar equipes de auditores especiais em todas as 10 superintendências regionais do País. Ao todo, serão cerca de 400 auditores, com apoio do serviço de inteligência da Receita, à caça de operações desse tipo suspeitas de serem irregulares.

Simulação. Levantamento da Receita mostra que, nos últimos cinco anos - período de bom desempenho econômico -, 42% das maiores empresas, responsáveis por cerca de 80% da arrecadação federal, apresentaram prejuízo fiscal. Para a Receita, boa parte desse prejuízo foi formada com base em operações simuladas, construídas com apoio de escritórios de advocacia para diminuir o pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

A cúpula do Fisco já fez um alerta sobre o risco de queda na arrecadação nos próximos anos, com operações "abusivas" de planejamento tributário depois da crise financeira. É que a legislação permite que "estoques" de prejuízos possam ser compensados sem prazo final de decadência. Ou seja, uma empresa pode acumular vários anos de prejuízo e, depois, quando registrar lucro, abater o valor anualmente até 30% do lucro apurado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Via Contabilidade Financeira

sábado, 3 de abril de 2010

China resiste à proposta brasileira sobre etanol

Brasil apresentou oficialmente, em Pequim, sugestão para a realização conjunta de projetos para a produção de etanol em países africanos ou asiáticos
03 de abril de 2010 | 0h 00
Cláudia Trevisan - O Estado de S.Paulo

CORRESPONDENTE
PEQUIM
O Brasil propôs oficialmente à China a realização de projetos conjuntos para a produção de etanol em países africanos ou asiáticos, mas é pouco provável que Pequim aceite a cooperação nessa área.

Com uma população de 1,3 bilhão de pessoas, a China tem a segurança alimentar no topo de suas preocupações e teme que a plantação de cana de açúcar reduza a área agricultável disponível para outras culturas.

A fabricação de etanol em terceiros países faz parte do esforço brasileiro para ampliar o uso internacional do produto e transformá-lo em uma commodity.

O tema foi apresentado às autoridades chinesas pelo vice-ministro para Energia e Alta Tecnologia do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixador André Amado, que fez críticas à Petrobrás durante entrevista coletiva na última quarta-feira, em Pequim, da qual participaram jornalistas brasileiros e estrangeiros.

Projetos conjuntos. Segundo Amado, o Brasil já tem acordo com os Estados Unidos para a produção de etanol em sete países da América Central e Caribe e dois da África. Também há projetos conjuntos com a União Europeia e o Japão, afirmou.

Os empreendimentos ainda estão em fase preliminar e devem demandar pelo menos dois anos para começarem a dar frutos.

O embaixador fez visita de sete dias à China, durante a qual foi acompanhado da maior delegação brasileira dos setores de ciência e tecnologia e energia que já esteve no país.

A passagem do grupo por Pequim coincidiu com a presença na cidade de executivos da Petrobrás, que negociam parcerias com a Sinopec e um novo empréstimo do Banco de Desenvolvimento da China (BDC).

"A Petrobrás não me convidou para os encontros deles. Quando as coisas não estão bem, eles vêm até nós e reclamam. Como não reclamaram, imagino que as conversas foram boas", alfinetou Amado durante a entrevista coletiva.

O embaixador se queixou do fato de não ter sido informado do teor das discussões realizadas pela Petrobrás, embora a estatal não tenha nenhuma relação de subordinação ao Ministério das Relações Exteriores.

PARA LEMBRAR

Acordos na mesma linha já estão fechados

O Brasil já fechou acordos com os Estados Unidos, com a União Europeia e com o Japão para produzir etanol em países da América Central, do Caribe e da África.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

NORMAS IFRS E O ENVOLVIMENTO DOS COLABORADORES

Via Financial Web
As normas IFRS (International Financial Reporting Standards), em vigor desde 1º de janeiro de 2010, terão efeitos práticos na qualidade das informações contábeis? O uso de uma mesma linguagem trará benefícios às empresas que exportam? A resposta é sim. Haverá mais transparência nos negócios entre quem compra e quem vende bens e serviços; entre quem adquire e a outra parte, que resolve se desfazer de uma empresa, por exemplo.

Enfim, a uniformização do padrão contábil brasileiro, que já é uma realidade, obrigará as empresas – em especial as de médio e grande portes – a dedicar mais tempo, mão de obra e recursos à adequação de suas demonstrações financeiras.

Todo esse avanço terá um custo a mais, é claro, pois o adiantado da hora levará as empresas a investir em profissionais qualificados, intensivamente treinados para atender demandas diferenciadas em função das muitas mudanças previstas.

A nova linguagem contábil é fruto da necessidade demandada por um mundo cada vez mais globalizado, quase sem fronteiras, onde atuar em todos os mercados possíveis é sinônimo de vitória na acirrada competição no mercado internacional. Há também a necessidade de ampliar a base de acionistas para encontrar mais opções de investimentos e, ainda, de melhorar a imagem institucional e a oferta de produtos nos mercados financeiros.

Em artigos anteriores já mencionei que a implantação das normas contábeis no Brasil vem cercada de muitas dúvidas, não só por parte das empresas, mas de contadores, auditores e do próprio governo. E isso é natural, pois são tantas as alterações que não seria possível se aprender tudo em tão curto espaço de tempo. Assim, é pertinente estabelecer um guia rápido e objetivo sobre as diretrizes a serem adotadas.

Em primeiro lugar, é necessário e de suma importância a elaboração de um estudo da convergência das demonstrações contábeis preparadas de acordo com as regras brasileiras até então vigentes e as diferenças que existem em relação às novas práticas a serem adotadas em escala global. Está é a primeira fase para a empresa aderir à Lei 11.638/07, com a respectiva legislação complementar.

O estudo deve ter por objetivo demonstrar a melhor forma de divulgar as demonstrações contábeis, ao apresentar as disparidades entre a legislação anterior e a atual, além de ajudar a administração da empresa a definir qual é a melhor data de transição.

O segundo passo é preparar um plano de ações prevendo a elaboração das demonstrações financeiras e notas explicativas conforme a Lei 11.638/07 e a respectiva legislação contábil complementar, ou seja, as deliberações emitidas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Nesta fase, espera-se que a administração já tenha dimensionado os desafios que virão pela frente.

Outras etapas importantes são a introdução de controles e planilhas para a elaboração das demonstrações financeiras pelo IFRS, bem como a atualização do estudo da convergência entre o trabalho realizado pela empresa nesse campo, de acordo com a legislação brasileira vigente até 31 de dezembro de 2007, e a nova legislação contábil, instituída pela Lei 11.638/07.

Além disso, é recomendável a demonstração da metodologia para implantação desses ajustes, incluindo as memórias de cálculo, quando forem aplicáveis, e a implantação de modelos de controles auxiliares, sempre que necessário.

A implantação das novas normas contábeis pressupõe ainda um diagnóstico amplo das diferenças existentes entre a contabilidade local e as IFRS, o que implica na verificação da capacidade de funcionários, auditores e consultores absorverem rapidamente esses novos conhecimentos e, a partir disso, estabelecer um processo de reflexão com base no qual deve haver um planejamento com metas e prazos bem definidos.

Esse diagnóstico e todas as etapas anteriores só terão sucesso se os diversos departamentos trabalharem em consonância. Da diretoria à equipe da área de finanças e da gerência aos consultores externos, passando, é claro, pelo pessoal de TI. Todos devem estar plenamente envolvidos para que a convergência contábil dê certo e haja a mínima possibilidade de problemas futuros.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Novas normas contábeis, mais transparência e custos menores

Via Financial Web

por Eduardo Nasajon*

29/03/2010

Em artigo, Eduardo Nasajon fala sobre o desenvolvimento do mercado

Pudemos observar, nos últimos 20 anos, um grande amadurecimento social, político e econômico em nosso país. Mudanças que começaram nos anos 90, frutos de políticas governamentais acertadas e que tiveram continuidade nos governos posteriores, colocaram o Brasil em uma posição de maior destaque no mundo. Pode-se gostar ou não do conceito da globalização, mas o fato é que atualmente o país está muito mais inserido no universo econômico das nações.

Em contraposição a leis protecionistas, reserva de mercado e outras práticas condenáveis e obsoletas, o Brasil aboliu proibições de importação, diminuiu tarifas e abriu o seu mercado para compra e venda de bens, serviços e tecnologia. Como resultado dessas ações, passou cada vez mais a atrair capital internacional que, ao contrário do passado - quando os recursos que chegavam eram meramente especulativos -, se transformou em novas empresas, novos negócios e maior relevância econômica.

E dentro dessa nova realidade, as práticas contábeis existentes deixaram de atender às novas demandas. O Brasil mais globalizado passou a ter que prestar contas a matrizes estrangeiras. Passamos a ter que demonstrar os números de nossas empresas em um formato que possa ser entendido por outras nações e, dessa forma, conseguirmos atrair mais investimentos.

A lei 11.638, sancionada nos últimos dias de 2007 e que vem sendo implementada ao longo dos últimos dois anos, vem justamente modernizar as demonstrações contábeis e inserir o Brasil em um clube com mais de 100 sócios que aderiram à IFRS (International Financial Reporting Standards) do IASP, instituto econômico baseado em Londres.

O objetivo dessas novas medidas contábeis é dar mais transparência, aumentar a produtividade, permitir uma comparação das demonstrações financeiras, reduzir ou eliminar o custo de se preparar demonstrações voltadas ao exterior, entre outros benefícios.

O Brasil mudou para melhor e a contabilidade teve que acompanhar essa transformação. É cada vez mais necessário dotar as empresas de ferramentas modernas e práticas que permitam o crescimento, o desenvolvimento e a participação no jogo global. E é sempre bom constatar que algumas medidas estão contribuindo para diminuir o indesejável “Custo Brasil”.

* Eduardo Nasajon é diretor de tecnologia da Nasajon Sistemas

**As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicadas refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nesta publicação

sexta-feira, 26 de março de 2010

Financeiro é peça-chave na criação de valor

por Verena Souza

25/03/2010

Fluxo de caixa descontado e análise de múltiplos são ferramentas essenciais para o processo

A Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) promoveu seminário, nesta quinta-feira (25), em São Paulo, para discutir os mecanismos de geração de valor nas empresas, que têm objetivo de promover maior competitividade.

Entre os executivos presentes, estava o gerente de relações com investidores (RI) da Ultrapar, Rodrigo Pizzinato. A petroquímica foi eleita a melhor empresa brasileira no quesito criação de valor do prêmio Abrasca, de outubro de 2009.

De acordo com Pizzinato, o diferencial está na disseminação, para todos os funcionários, do conceito “criação de valor”.

“O segredo é tê-lo como um elemento que está no sangue da companhia inteira. Isso faz parte dos nossos processos de decisão e de investimento”, afirmou o RI.

Mesmo diante da crise financeira, que afetou como um todo os setores da economia no Brasil, a Ultrapar gerou 46,33% de valor aos seus acionistas, o equivalente a R$ 2,3 bilhões no segundo semestre de 20009.

Além da Ultrapar, compareceram também ao evento os representantes, principalmente da área financeira, das empresas CTEEP, Eternit, Neovia e Vale.

Apesar do tema estar em evidência entre os altos executivos, as estratégias expostas para alcançá-lo parecem ser velhas conhecidas.

Fluxo de caixa descontado

Entre os mais comuns aplicados pelas empresas estão: fluxo de caixa descontado (FCD) e a análise de múltiplos (P/L, FV/Ebitda, EV/Ebitda, entre outros). No caso do FCD, é necessário calcular qual a receita que um determinado investimento deve gerar, além do impacto que isso terá no fluxo de caixa da organização. Isso tudo, descontado a uma taxa de risco a ser calculada. Se, após esse processo, o valor da companhia for aumentado, o investimento deverá ser feito.

Os cases das empresas presentes ressaltaram também a importância de fortes políticas sócio-ambientais, de transparência e governança corporativa.

No entanto, a área que concentra os maiores esforços para se atingir a tão almejada geração de valor parece mesmo ser a financeira.

“É importante ter uma equipe que faça o cálculo da criação de valor para o acionista, especialmente, se a companhia busca oportunidades de compra no mercado”, ponderou o diretor financeiro da Neovia, Luiz Walter Migueis Silva.

Via Financial Web

Ministros da Agricultura do BRIC prometem combater fome no mundo

26 de março de 2010 | 14h 20 (Via Estadão)
ALEKSANDRAS BUDRYS - REUTERS

Ministros da área agrícola do Brasil, Rússia, Índia e China -- países que, juntos, possuem um terços das terras aráveis do mundo -- concordaram na sexta-feira em unir seus recursos para combater a fome que afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.

Os ministros dos países conhecidos como BRIC assinaram um pacto para criar uma base conjunta de informações agrícolas que ajudará cada país a calcular produção e consumo e criar reservas nacionais de grãos.

"Sozinhos, não somos capazes de resolver o problema global da segurança alimentar, mas podemos ajudar a comunidade internacional a combater a fome", disse a jornalistas o ministro indiano da Agricultura, Sharad Pawar, após a reunião dos quatro ministros em Moscou.

As economias emergentes do BRIC produzem 40 por cento do trigo mundial, metade da carne suína e um terço da carne de frango e bovina. O produto interno bruto combinado dos quatro países equivaleu a 22,4 por cento do total global em 2008.

A Rússia, que no ano passado sediou o primeiro Fórum Mundial de Grãos, está se posicionando como grande fornecedora de grãos para o mercado mundial. Ela pretende dobrar suas exportações de grãos dentro de 15 anos e elevar sua colheita em 50 por cento.

Os quatro ministros concordaram em compartilhar experiências no fornecimento de alimento a populações vulneráveis e a vítimas de desastres naturais, além de realizar trocas de tecnologias agrícolas para ajudar a reduzir o efeito das mudanças climáticas sobre a produção alimentar.

Cerca de 42 por cento da população mundial vive nos BRICs, e uma parcela substancial dessa população faz parte de grupos vulneráveis que precisam de ajuda governamental para garantir sua segurança alimentar, disseram os ministros em comunicado conjunto.

A ministra da Agricultura da Rússia, Yelena Skrynnik, disse a jornalistas que os ministros também farão várias reuniões bilaterais. Ela e Pawar se uniram ao ministro da Agricultura chinês, Han Changfu, e ao ministro brasileiro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.

Nas reuniões bilaterais, a Rússia planeja discutir exportações de grãos e oleaginosas à Índia em troca de frangos desse país, além de envios de trigo ao Brasil em troca de carne, disse Skrynnik.

China ultrapassou EUA como maior investidor em energia limpa em 2009

Brasil ficou em quinto lugar na lista entre os países do G20, tendo investido R$ 13,2 bi
26 de março de 2010 | 11h 48 (Estadão)

A China ultrapassou os Estados Unidos em 2009 se tornando o maior investidor em tecnologia de energias renováveis, segundo um relatório divulgado nos Estados Unidos.

Arquivo/AE
Arquivo/AE
Análise mostra que recessão global afetou pouco o mercado de energias renováveis


Os pesquisadores do instituto americano Pew calculam que a China investiu US$ 34 bilhões (cerca de R$ 62 bi) em energia limpa no ano passado, quase o dobro do investimento realizado nos Estados Unidos.

O Brasil ficou em quinto lugar na lista entre os países do G20, tendo investido aproximadamente R$ 13,2 bilhões, atrás da China, EUA, Grã-Bretanha e Espanha.

O crescimento mais espetacular ocorreu na Coreia do Sul, onde a capacidade instalada cresceu 250% nos últimos cinco anos.

Globalmente, o investimento mais do que dobrou nos últimos cinco anos, afirma o Pew, que concluiu que a recente crise econômica provocou apenas uma pequena queda nesses investimentos.

"Mesmo em meio a uma recessão global, o mercado de energia limpa passou por um crescimento impressionante", afirma Phyllis Cuttino, diretora da campanha sobre mudanças climáticas da instituição.

"Os países estão disputando a liderança", disse ela.

"Eles sabem que o investimento em energia limpa pode renovar suas bases manufatureiras e criar oportunidades de exportação, empregos e negócios."

Os Estados Unidos ainda mantêm uma pequena liderança na capacidade total instalada, mas se a tendência continuar em 2010, a China deverá ultrapassar o país ainda neste ano.

Diversificando

A meta do governo chinês de ter 30GW de capacidade de energia renovável instalados até 2020 está para ser cumprida em breve com o uso apenas de energia eólica (do vento), e novas metas já estão sendo estabelecidas.

"O governo tomou a decisão estratégica de que diversificar suas fontes de energia deveria ser uma prioridade nacional", comentou Steve Sawyer, secretário-geral do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), que não participou da análise do Pew.

"Ela é agora líder na fabricação de células fotovoltaicas (de energia solar), e são fabricadas mais turbinas eólicas na China do que em qualquer outro país."

Mas o uso de combustíveis fósseis na China também está em rápida expansão.

Até agora, as renováveis respondem por uma pequena parcela da energia consumida na China, mas a meta do país é que 15% de sua energia venham de fontes limpas até 2020.

A energia eólica foi o setor dominante na maioria dos países que realizaram altos investimentos em energias renováveis, com exceção da Espanha, Alemanha e Itália, onde a energia solar foi a campeã de investimentos.

Já os investimentos nos Estados Unidos caíram em 40% de 2008 para 2009.

O investimento da Espanha também caiu, por causa da recessão, depois de vários anos de rápido crescimento, motivado pelo desejo de diminuir as emissões dos gases causadores do efeito estufa para atingir as metas estabelecidas no Protocolo de Kyoto.

O Pew baseou sua análise com base nos dados da Bloomberg New Energy Finance, o grupo internacional de consultoria e análise. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.